Desencanto?
Eu fa?o versos como quem chora
De desalento... De desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
N?o tens motivos nenhum de pranto.
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Meu verso ? sangue. Vol?pia ardente...
Tristeza esparsa... Remorso v?o...
D?i-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do cora??o.
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E nestes versos de angustia rouca
Assim dos l?bios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
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- Eu fa?o versos como quem morre.
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Manoel Bandeira
Manoel Bandeira foi um grande poeta brasileiro, a oorigem de sua poesia vem do parnasianismo e do simbolismo, mas tem grande destaque no modernismo.
Tem um estilo simples e direto de escrever, sua principal característica é o uso do verso livre, mas nem por isso deixava de fazer uso das formas fixas.
Escrevia sem preocupação e não gostava de modificar nada, dizia:”Saiu sem esforço, como se estivesse pronto dentro de mim”, quando referia-se a seu poema”‘Vou Embora para Pasárgata”.
Era um homem de vida sofrida, e isso se reflete em seus versos que em sua maioria utilizam temas como: a morte, dor e solidão, com uma certa melancolia, associada a um sentimento de angustia, mas também utilizava temas comoa família, a infância em Recife, os indivíduos que compõem a camada mais baixa do país (Mendigos, prostitutas, carregadores de feira-livre, etc), situações cotidianas e universais, as vezes utilizava uma abordagem poema-piada, que na época, era tida como uma forma de expressão vulgar.
Era um homem que vivia com um sorriso simpático no rosto e assim conquistava muitos amigos e admiradores e apesar de sua miopia e de ser dentuço, gostava muito de ser fotografado e mesmo sendo apaixonado pelas mulheres, não se casou e nem teve filhos.