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saulokrieger
São Paulo - SP
 

Pois é, eu nasci em Pelotas, e só depois que as partes foram se juntando

Pois é, eu nasci em Pelotas, e só depois que as partes foram se juntando

Raíssa Photoshop — Modelos em pelotas

 

 

 

 

[Voz em off convida:]

 

 

Raíssa, queira se achegar, diga “boa noite” ao microfone:

 

[Raíssa — perdidaça, um penteado alto, estranbótico:]

 

 

Ai [pega no microfone, puxa pra cima e pra baixo, como se o fosse masturbar] é aqui... Boa noite, Microfone!

 

[Voz em off:]

 

Não, Raíssa... O microfone é um ser inanimado...

 

Como assim? Bah, não pode chupar, tirar um leite desta joça?

 

[Voz em off:]

 

Poder até pode, mas te adianto que não vai ter muita graça...

 

[Raíssa:]

 

Nem aquela porrinha danada de boa?

 

[Voz em off:]

 

Não, Raíssa, nem aquela porrinha danada de boa. Eu a convidei a cumprimentar a platéia, só isso...

 

[E ela, a tolinha, cantado, cantado:]

 

Ah, bom, néé... Bah, mas tu também não explica...

 

Mas então deu, agora... Boa noite, gurizada medonha! Eu sou a Raíssa [ênfase no “iiiii”, bem gaúcha] Photoshop, modelo trichique-tridemais... Eu sou gaúcha, sabe como é... Eu nasci em Pelotas, nem tudo o que dá em pelotas é viado, não. Pois é, eu nasci em Pelotas, e só depois que as partes foram se juntando, e eu fiquei assim, inteirinha, inteiraça até demais, tem pelota aqui até sobrando ih ih ih...

 

Eu sou o “biótipo” da mulher brasileira, loira e com um corpão, este naco aqui já sai, dou depois uma corrida sagaz até em casa, e deu pra essas gordurinha ...

 

Pois é... Mas no Rio Grande, depois de me pelotar inteira a gente foi morar lá numa cidade que eu não lembro direito o nome... Não sei... Tipo assim, acho que era Santo Antônio da Patrulha, porque a criolada de lá me patrulhava muito, me chamava de galinha, de bezerra, e isso não é bom pr’uma guria, néé... Daí deu, nééé.

 

Bem, eu cresci como uma típica guria do interior do Brasil [força no “l”, à la Brizola...] Ia à escola, fazia tarefa, né, sempre com um bom chimarrão do lado, né, porque ninguém é de ferro? “Eu sou o ‘biótipo’ da mulher brasileira, isto é corpão, né” O meu padrasto, gaúcho lá da fronteira, chegava por trás, ele tinha um rabicho por mim, vinha cheio da cana, queria me enlaçar, pegava nos meus peito como se pega em égua, eu dava um safanão nele... Não, por que isso não se faz, né? Ah, deixa eu explicar, o meu pai se enforcou, né... Porque ele dizia que tinha uma mulher louca, duas filhas putas e um filho viado, nééé? Uma coisa assim meio... Trio Los Angeles, bah, vocês lembram? [e “mamboleia”] “Veeeeeeem.... nesta mambo-lê” tcha-rá-rá [Voltando...] Meu pai era um gaúcho de quatro costados, bombacha, botina e bigodão, não agüentou o repuxo daquela zona. Mas então, guris, eu era uma típica guria do interior do Brasil. Depois de dar um safanão no meu padrasto, eu me embonecava e ia fazer a minha aula de patinação no gelo...

 

[risos, espera-se]

 

Que que vocês estão rindo... Eu vim do Rio Grande [pausa] do Sul!

 

 

Bom, daí depois da minha aula de patinação no gelo, muita perna aberta, pra cima, pro lado, eu tinha um parceiro nem tchuns, nééé...   era uma biiiiiiiiiicha...

 

Mas era uma biiiiiiiiiicha daquelas de arrancar o pêlo do gaúcho, era uma biiiiiiiiicha-a-léguas-de-distância-de-Bagé mas nada a ver, muito amiga minha, sabe como é, né? [aquele caaanto...]