O “REVELION” DA KALCINÉRI
Olá, pessoal, como foram de “reveLIon”?
Ah, o meu não foi bom, não rolou... Só zica. Bem que a Paris tinha me dito: “Nada de Copacaba, hem? Revelion é Jurerê, amiga, com as fina... Floripa”. Agora já foi. “Desta feita” 2008 já risquei do caderninho. Ricar que é bom? Nada...
Foi assim, que nem:
Eu, mais a Maglécia e a Lene Bisca, bem, eu me vesti toda de branco, parecia daquelas macumbeira mesmo, e fui pra Copacabana ver os fogos, pular ondinhas e jogar umas porcarias para Iemanjá (e poluir aquela porra ainda mais). Ah Mag-Maglécia foi toda-quanto-cobra, e a Lene Bisca, bem, a própria. Ah, fui cheia de oferendas, muita fruta podre, muito arroz, muita cidra cerezer... Disseram: “A Iemanjá” não é fina que nem nós, pra ela vale qualquer coisa, leva que é tranqueira!”. E eu levei, tudo o que tava podre na dispensa. Ah, e sal, porque é baratinho. De encher a mão. Fui pra jogar o sal "tudo" no mar. E muita, muita cidra cerezer, porque é baratinho também.
Logo na saída, na Pavuna, pegamos um caminho meio diferente, que era pra cortar, daí, o que vimos: uma encruzilhada em “T”. A Lene disse assim: “é nesta”. A Maglécia: “É agora, toda calma nesta hora, que nós vamos arrumar marido. Pras três!”. Para Ogun e ACM nada é impossível. Voltamos pra casa, pegamos uns pratinhos, arrumamos uma comidinha, fomos botar tudo na encruzilhada. Pra quê... Lá de cima de um prédio, viram as três marias de branco botando angu-do-bem na encruzilhada. Começaram a gritar: “ê, macumbeira! Ê macumbeira!”. E nós gritava: “Vão se foder! Vão se foder!”. Ora essa! A Maglécia gritava: “Kal! Aproveita e bota o nome dele na macumba!”. Boa idéia... Mas pera aí, você sabe o nome dele? “Moço, como é o seu nome, aqui pro despacho? Ele não disse nada — se escondeu... E "macumbeira! Macumbeira". Aquilo me subiu o sangue: "é tua mãe! É tua avó! É a sua... A minha vó é morta a tua é torta. A minha vai na missa a tua come carniça!". “Eita, gente xucra!” Ah, o Rio tá muito moderno... Não tem mais aquele "charme"! E nem arranjar marido a gente “se” pode!
Daí, no caminho, no carro, Zona Norte pra-trás-graças-a-deus-que-eu-quero-coisa-fina, muito engarrafamento, muito buzinaço, maior stress, tinha carro do lado cheio de bofe, daí a gente botava a lingüinha assim pra fora [e mostra], a homarada ficava boba, daí a gente passava na frente deles... Só assim deu pra ir da Pavuna até lá: eu fui me babando toda, a gostosa! A Leni Bisca só dizia “pááára, que eles vêm atrás”. E eu: “ah, é? Uma gataria dessa, vai vir atrás logo de nós?” “Pois vêm!", dizia ela. "Três gostosas como nós!". Lá isso é verdade. Só assim... Ou passava a hora da passagem dentro do carro, de encalhada a engarrafada de vez, as três. Mas o importante é não pegar logo o primeiro — quem pode escolhe, deixa o resto pra quem não pode.
Bem, bem, à força de língua cheguemos, ops, chegamos. Muita multidão. A Lene disse “não, vamo desaqüenda daqui”, eu disse, “que nada, te "se" joga!”. Abri caminho no meio do povaréu, dizendo “saaaai, porra! Que eu tô menstruada!”. E todo mundo achou que era motivo pra sair, saiu e deixou a gente passar. Daí deu aquele foguetório todo, que não acabava mais, a Maglécia teve medo... Sabe cadela com medo de foguete? Pois é.
Daí... Daí... Na hora de pular as ondinhas veio uma onda gigante muito grande, parece que um foguete pegou lá embaixo e deu um maremoto, veio aquela onda gigante muito grande, eu disse pras meninas “lá vem elas”, a Maglécia gritou: “Titanic!”, a Lene Bisca matou: “Tsunami”, “isso mesmo: tsunami em Copacabana em noite de revelion — pecado, pecado”, e schuuuáááááá, veio a onda e deu um belo de um caldo em nós três mais num pessoal que tava lá. Foi babado, e de cara no leito marinho. Eu engoli um tanto de água do mar com mijo e cidra cerezer que não foi mole. Ah, ainda vi uns chokito boiando. Nojeira, né? Deu nojo de engolir aquela água. Comecei a tossir “coffe, coffe”, uns gringos ali perto disseram: “A moça precisa de um café!”. Eu disse, não, moço, 'coffe, coffe', eu preciso é de um beijo na boca, me dá senão me afogo, "coffe, coffe'! Mas eles, parece, não se interessaram por mim, por nós, beleza intimida, sabe como é? A Bisca disse "fala em inglês, pra impressionar", eu lembrei "o meu inglês não tá bom", e a Maglécia: "Nem o português: cala a boca!". Ai! Eu já tava com a maquilage toda borrada, mas o vestido tava bem assim sexy-disque-putas. Molhou tudo, claro, e eu sem calcinha, que a Madame Zora disse: “Vai sem que no ano novo entra tudo de bom”, e o vestido já era transparente mesmo, ficou só aquele “V”: babado! Mas nem isso. Acho que aqueles gringo eram viado mesmo, em qualquer língua! Ô, desgraça! Carneirinho, carneirão, olhei pro céu, olhei pro chão e vi que tinha bem outra coisa escrita pra mim.
[continua na outra foto de Iemanjá]