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saulokrieger
São Paulo - SP
 

Porra de uma égua! A cara é mesmo uma facada no cu!

            Porra de uma égua! A cara é mesmo uma facada no cu!

O GATO PORRALHEIRO II

 

Conferência de cú

(pula)

 

Cena à mesa do jantar [Baranga Messalina e suas três filhas incrivelmente medonhas.] Baranga Messalina crava os olhos em uma, em outra, na terceira... E bufa de raiva. Exclama:

— Tô aqui pensando... 
— No quê? — pergunta Abraça-Mãe. 
— Como é que eu pude botar no mundo criaturinhas tão medonhas! 
— Ai, mãe, deixa disso! — retrucou a Forma de fazer demonho. 
— Vão ser medonhas assim lá na casa do caralho! Puta que o pariu... E você não é o demonho — diz para "Forminha". — Tu é a própria Forma de fazer capeta! Tu tem parte com o demo! Pediu pra ser feia... 
— E o Diabo exagerou, não é? Já conheço a história... — replicou a terceira.

— Cresceu ouvindo — a segunda. 
— Querem o quê? Sim. O capeta! O coisa ruim!  O atrás-da-porta. Mas não é sobre a sua repelência que estamos aqui hoje para discutir.

— Não gosto de discutir — a burrinha.

— Putz! Está vendo? É sobre a sua burrice! Como se não bastasse a desgrama! 
— O que foi, mamãe? — Perguntou a Rascunho do Mapa do Inferno. 
— O que foi? É que para coroar minha desgraça vocês não conseguem distinguir o capim do feno. Imbecis! Idiotas! Que história é essa de querer matar o Alcinho? Então não sabem que este Reino da Fodelância está à bancarrota? É quem irá salvá-lo? Vocês, suas medonhas?! Essas caras horrorosas? Esses seus pintinhos... Essas minhoquinhas... Murchas? 
— Mas nós vamos fazer o baile beneficente, mamãe! — retrucou Abraça-Mãe. 
— A porra do baile beneficente vocês sabem muito bem para que que é! Para reverter a minha operação de mudança de sexo! Para consertar esta porcaria da minha prexeca! Toda noite eu acordo mijada! De manhã! De tarde! Tô de calça plástica! Toda mijada! E não consigo ter prazer sexual nenhum! Nem com a trolha do Megafodal, que deus o tenha e o diabo o carregue! Ai, eu tô fudida! E não é um bailinho chinfrim com o Príncipe das Passivas que vai nos salvar da bancarrota. Temos, sim, de preservar os dotes do Alcinho, e... 
— Não matá-lo? 
— Não, minha Forminha-Bobinha.... 
— Nós vamos... Enchê-lo de porrada e maus-tratos e agenciá-lo para povos bárbaros de terras longínquas... 
— E?... 
— E por fim, quando ele já não mais tiver serventia... 
— Matá-lo! 
— Ai! Porra ´de uma égua! Criatura mentecapta! 
— Iremos vendê-lo para mercadores de um reino bárbaro e tanto mais longínquo... 
—  A peso de ouro? 
— Ufa! Vamo combiná... Ele vale, não vale? Já vocês... Mas tá bom, por fim, pensou essa cabeça de minicaralho! 
— A peso de ouro...
— E salvar nosso reino da Fodelância... 
— Da falência... Não é mamãe? 
— É, minha querida Abraça-Mãe. Tua feiúra me comove. E teus escassos neurônios também. — E num rompante. — Mocréias dos infernos! Saiam daqui a-go-ra! As três! E vão já se enfeiar mais ainda, porque o baile para o Príncipe das Passivas não tardará. E quero que vocês pelo menos sejam... de sociedade! A cara é mesmo uma facada no cu! Das três! Façam alguma coisa... Sei lá... Um milagre dos infernos! Vendam os culhões pro diabo que as carregue! 
— Ai, mãe... - reclamou a Forma de Fazer Demonho. 
— A mais pura verdade! E o pintinho não serve pra nada mesmo! Uma vergonha! 
— E o Alcinho não vai ao baile... Não é mamãe? - perguntou o Rascunho. 
— Claro... Que não! Ou então não sobrará nada para um trio de mocréias como vocês. Ai, deus me guarde e me proteja! Que prole! Que castigo!

                E as três irmãs pavorosas se retiram para seus aposentos, onde tentarão o impossível. Baranga Messalina vai exercitar seu maior prazer sob o sol. Dirige-se aos pobres aposentos do Alcinho Real... Para azucriná-lo ainda uma vez, lembrando do baile, do qual ele mais uma vez não participará.

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