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São Paulo - SP
 

Aos 17 anos, no esplendor na relva, nos aposentos, lúgubres, do palácio...

  Aos 17 anos, no esplendor na relva, nos aposentos, lúgubres, do palácio...

O Gato Porralheiro

 

           Era uma vez... Uma bichinha que viera ao mundo feliz e bem-aventurada num reino encantado muito, muito distante, chamado "Reino da Fodelância". Era o rebento de mãe linda e loira e de um pai maravilhoso — e pra lá de pirocudo. Só que o bebezinho, tal qual o pai, já nascera tão pirocudo, mas tão pirocudo, que, como os bebês não são mesmo proporcionais, ele era quase só uma grande pica mesmo, tão grande a rola. Por isso mesmo, para a sua infelicidade, sua mãe não resistiu ao terrível parto de caralho grande, e acabou morrendo com o menino sobre o regaço, logo ao dar à luz o pobre viadinho, que assim já nasceu praticamente órfão de mãe. Ora, vocês bem sabem: não há caralhudo de pai que substitua uma boa mãezinha. Até por isso, o Rei Megafodal apressou-se em arranjar para si um segundo casamento, para ter com quem foder todas as noites e para dar uma mãe de criação ao doce e roludo princezinho. Acontece... que essa "mulher" - se era rainha, era-o das barangas - revelou-se uma trava aleijo e invejosa (havia se operado e depois disso, sem conseguir gozar, deu pra ficar com inveja de todo mundo que tivesse um bom pinto) chamada, justamente, "Baranga Messalina" e trouxe a tiracolo três filhas igualmente pavorosas, oriundas da época em que era homem ainda, muito antes de se ter ido ao Marrocos fazer a malfadada operação. As queridinhas atendiam pelas doces alcunhas "Forma de fazer demonho", "Rascunho de mapa do inferno" e "Abraça-Mãe de Pau Duro" - sem falar que tinham pintinhos tão pequenininhos, que não era possível pegá-los, e sim tão-somente... pinçá-los. Isso tudo enquanto o nosso herói crescia lindo e garboso, um verdadeiro alce real - este aliás, o nome que sua mãe lhe dera logo antes de morrer... Disse "ele é tão viadinho, e é caralhudinho igual o pai... Que trolha! Irá se chamar 'Alce Real''". Em o dizendo, sem forças, por desgraça, desfaleceu. Bem, e para o azar de nosso Alce Real, o Rei Megafodal logo veio a falecer também, ficando só com as quatro mocréias malvadas e invejosas. E quanto mais lindo e pirocudo ficava, mais irascível era a raiva das quatro em cima do pobrezinho.

          Aos 17 anos, no esplendor na relva, nos aposentos, lúgubres, do palácio, entre a corte, nos confins do reino, era mais do que notória a fama de pirocudo do nosso herói. Tanta beleza e tanta caralheza eram percebidas pelas pavorosas meio-irmãs como ameaça. Cada baile, cada intercurso, mesmo distante, com o príncipe do Reino da Fodelância virava igual ameaça. "E se o Príncipe das Passivas descobrir o Alce Real?" — pensavam elas. Só há um remédio: "Matá-lo!".