CAPÍTULO SEIS
CACO: Ellen tente se acalmar. Você quer que eu pegue um calmante pra você?
ELLEN: Não! Eu não quero nada! Eu quero me manter lúcida! (CHORA) Caco... de novo essa doença maldita veio pra devastar minha família. A próxima sou eu Caco... Sou eu...
CACO: Ellen pare com isso! Você sabe que não é assim! Essa é uma doença como qualquer outra, não se pode, nem dá, para se fazer uma lista prevendo qual será a próxima pessoa a ter câncer. Eu sei que está sendo muito doloroso pra você, mas tente manter a cabeça em ordem.
ELLEN (CHORA): Caco... Faz essa angústia, essa dor que invade a minha alma, passar... Eu não agüento tanto sofrimento mais... Eu não vou agüentar... Não vou!
Ellen percebe que todo seu corpo está tremendo, sua visão estava turva, seu estomago embrulhado. Seus pensamentos estavam a mil por hora.
ELLEN (CHORA): Como pode... de uma hora pra outra, eu perder uma pessoa com quem eu convivi minha vida toda? E... tudo por causa dessa doença. Primeiro minha avó, depois minha mãe e agora minha irmã. (CHORA) A minha família acabou, Caco, acabou. Eu estou sozinha... Sozinha. Eu lembro de quando agente era criança, agente adorava brincar de tesouro escondido no jardim da nossa casa. Ele era bonito, era cheio de rosas e margaridas. Agente se divertia tanto. Nós sempre fomos às melhores amigas uma da outra, sempre. Mas agora... Isso é passado. É só... lembranças.
CACO: Eu sei que é triste, mas pensa que ela, sua mãe e sua avó, de onde quer que elas estejam elas estão com você, bem aqui.
Caco põe sua mão no coração de Ellen.
CACO: Aqui, no seu coração, elas nunca irão morrer. Elas sempre te acompanharão, onde quer que você vá, haja o que houver, sempre!
Ao ouvir essas palavras de Caco, Ellen sentiu seu coração se acalmar. Ela sempre admirou essa qualidade em Caco: Ele sempre sabia o que dizer.
Caco a abraça Ellen, aconchegando-a em seus braços, e os dois ficam no chão daquele corredor de hospital, infelizmente, já muito conhecido por ambos.
CORTA PARA
CAMPINAS/ CASA DE FERNANDA/ INTERIOR/ DIA
Fernanda acorda. Está em seu quarto, toda espremida numa cama de solteiro, que ultimamente, vem abrigando duas pessoas. Matheus estava dormindo ali.
Dormindo ele era ainda mais belo, pensou Fernanda passando as mãos sobre o cabelo do amado, que dormia profundamente.
FERNANDA: Bem, você pode dormir por mais algum tempo, mas eu tenho que levantar.
Levanta da cama, dá um beijo de bom dia em Matheus e vai para a cozinha.
FERNANDA: Bom dia.
NATASHA: Hum... Pela sua cara eu acho que é um lindo dia, ou será que foi uma linda noite?
FERNANDA: Acho que um pouco dos dois (RISOS)
NATASHA: Fico tão feliz por você, por ter encontrado um cara legal como o Matheus.
FERNANDA: Agora só falta você. E aquele lança entre você e o Ricardo? O que virou?
NATASHA: Ai, pior que não virou nada. Ai amiga, eu acho que é esse meu dedo podre que acaba com todos os meus relacionamentos.
FERNANDA: Sei como é, olha o meu exemplo... Lembra de mim e do Thiago...
NATASHA (CORTA): Cruzes. Bate na madeira três vezes pra não invocar o espírito desse coisa ruim.
FERNANDA: Mas isso é fase. Logo você arruma um cara que de quem você goste muito, assim como eu gosto do Matheus.
NATASHA: Ele não tem nenhum irmão? Sei lá, um primo distante?
FERNANDA: Ele é filho único.
NATASHA: Droga. Eu quero um bofe pra mim também...
FERNANDA: Por falar em droga... E a sua amizade com a Bárbara, como anda?
NATASHA: Nossa Fer, que injustiça sua com a menina, ela é tão gente boa, só é mal interpretada. Mas está tudo bem, por quê?
FERNANDA: Não confio nela. Desde a primeira vez em que a vi, meu santo não bateu com o dela, ou melhor, bateu e deu um logo um chute (RISOS).
NATASHA: Eu ainda acho que você devia tentar se aproximar dela, fazer amizade, ela é super gente boa.
FERNANDA: Sei... Mas acho melhor não. Melhor evitar confrontos.
NATASHA: Vai pra Ivery hoje?
FERNANDA: Sim. Só levantei pra tomar um copo de café e comer alguma coisa pra repor as energias, menina, esse homem é uma coisa. Vou tomar um banho e vou pra lá, e você?
NATASHA: Estou indo agora, só parei pra dar um tempo aqui. Tenho que ir. Depois agente se vê.
FERNANDA: O.k.
CORTA PARA
CASA DE BÁRBARA/ INTERIOR/ DIA
BÁRBARA: Acorda! Anda logo! Eu não posso me atrasar!
ANDRÉ: Nossa que maneira mais calorosa e meiga de se acordar alguém! Você derrete o meu coração com o seu calor humano e me deixa em uma estado de coma diabético com toda essa sua doçura.
BÁRBARA: Me faça um favor?! Me lembre de rir de tudo isso mais tarde?!
ANDRÉ: Claro amor!
BÁRBARA: Anda! Levanta logo dessa cama! Eu tenho que ir pra Ivery e já estou atrasada.
ANDRÉ: Pra quê tanta pressa? Você sempre chega em cima da hora mesmo.
BÁRBARA: Você esqueceu que eu estou tentado fazer a Natasha abrir a boca e falar tudo pra mim?! Pra isso eu tenho que estar lá da hora em que ela chega até a hora em que ela vai embora. É pra fortificar mais a nossa linda e terna amizade (RISOS).
ANDRÉ: Mas você já ta nessa faz mó tempo, ainda acha que vai dar certo?
BÁRBARA: Claro que vai! E, como eu sou muito prevenida, já contratei um detetive particular, o nome do cara é Medeiros. Ele ta cobrando uma nota preta pelo serviço, mas vai valer a pena. Assim que eu descobrir esse segredo, meu amor, eu vou separar aquele casalzinho cafona. Ai se você visse aqueles dois juntos... Aquela felicidade toda. Olha só, já fiquei toda empolada. Mas deixe estar, logo logo essa felicidade (BÁRBARA JUNTA SUA MÃOS E AS SOLTAM, FAZENDO REFERÊNCIA À UMA EXPLOSÃO) vai pros ares (RISOS)
ANDRÉ: Mas e se, mesmo assim, esse tal de Matheus não voltar pra você?
BÁRBARA: Aí eu não queria estar na pele dele.
CORTA PARA
IVERY/ SALA DE NATASHA/ INTERIOR/ DIA
Natasha estava em sua sala, anotando dados em alguns papéis.
BÁRBARA: Oi. Ta muito ocupada?
NATASHA: Não para as amigas. Tudo bem? Não vi você indo embora ontem.
BÁRBARA: Está tudo bem. E ai, e aquele lance com o Leon, o que deu?
NATASHA: Nem me fale.
BÁRBARA: Por quê? Não deu certo?
NATASHA: Aquilo ali passou muito longe de dar certo. Ele parecia perfeito, era lindo, rico, cheiroso e não era gay.
BÁRBARA: Nossa que tragédia! Ainda bem que largou dele (RISOS)
NATASHA: Não foi por isso (RISOS). Você acredita que ele ainda mora com os pais?!
BÁRBARA: Credo. Mas ele pode se mudar.
NATASHA: É ai que está o problema: Ele disse que gosta!
BÁRBARA: Que horror!
NATASHA: E tem mais: Ele disse que não se imagina morando em outro lugar sem a mãe! A MÃE! Ele disse que adora as mordomias que ele tem na casa dos pais e disse que não pensa em se mudar tão cedo
BÁRBARA: Que nota você tinha dado pra ele?
NATASHA: No inicio uns oito, mas, depois disso tudo, caiu pra menos um.
BÁRBARA: Essa foi a primeira vez que uma nota cai tanto e, de uma forma tão drástica.
NATASHA: E eu ainda estou encalhada.
BÁRBARA: Calma, amiga, você vai ver, quando você menos esperar pinta um cara bem bacana.
NATASHA: Eu só espero que não seja quando eu tiver setenta anos (RISOS)
BÁRBARA: Escuta, Natasha, nós somos amigas já faz algum tempo e agente quase nunca fala das nossas vidas. Por exemplo, porque você e a Fernanda vieram pra cá? Vocês não gostavam de São Paulo?
NATASHA: Nós viemos, cada uma com seus motivos. Eu vim porque não estava conseguindo emprego em São Paulo e a Fernanda...
Natasha subitamente pára de falar.
BÁRBARA: O que foi? O que houve com a Fernanda?
NATASHA: Nada. Ela também não estava encontrando emprego. Foi só isso.
BÁRBARA: Natasha, eu pensava que você poderia confiar em mim, afinal, nós somos, ou não, amigas?
NATASHA: Claro que somos.
BÁRBARA: Então. Me diga o que aconteceu. Eu juro que essa nossa conversa morre aqui!
NATASHA: Tudo bem, mas você tem que me prometer que você não vai contar pra ninguém. Bárbara, isso é sério, você não pode contar pra ninguém! Promete?
BÁRBARA: Claro que sim! Está prometido!
NATASHA: O.k. Bem, a Fer se envolveu com um cara, o Tiago, foi a pior coisa que ela já fez. Ele era possessivo, sentia um ciúme violento dela. Pra você ter uma idéia, teve uma época, antes de nós nos mudarmos pra cá, que ele cismou que a Fernanda estava dando mole pra um cara que morava perto da casa onde eles moravam...
BÁRBARA (CORTA): E ela estava?
NATASHA: Claro que não! Ela é super fiel, odeia esse papo de traição. Isso era coisa da cabeça dele. Ele era tão ciumento que se Fernanda olhasse pra alguém, ele já achava que ela estava dando mole pra outro. Aí teve um dia, que ele mandou surrar esse cara que eu te falei. Você precisava ver o estado que esse coitado ficou. Foi por isso que agente veio pra cá.
BÁRBARA: Mas ele aceitou o término dessa relação numa boa?
NATASHA: Não! A Fernanda veio pra cá fugida. Saiu sem dizer adeus pra ninguém. Nem pra família, nem amigos, nem ninguém.
BÁRBARA: Ainda bem que ela conseguiu fugir se não, uma desgraça poderia ter acontecido.
NATASHA: E foi por pouco. Teve uma vez, que ele bateu tanto na Fernanda...
BÁRBARA: Bateu? Nela?
NATASHA: É! Aquele covarde, miserável! Ele bateu tanto na Fernanda que até quebrou o braço dela.
BÁRBARA: Nossa, mas, porque ela não foi até a polícia?
NATASHA: Porque ela morria de medo dele. Ele fazia ameaças, ameaçou matar toda a família e amigos dela, caso ela fosse até a polícia.
BÁRBARA (PENSANDO): Te peguei sua purgante, insuportável! Agora você vai se arrepender de dar em cima do meu homem!
NATASHA: Bárbara, você não pode contar isso pra ninguém!
BÁRBARA: Fique tranqüila, minha amiga, essa conversa morre aqui (PENSANDO) Sua linguaruda, fofoqueira, filha da mãe! (FALA) Sabe Natasha, você é a única amiga que eu tive na minha vida. Obrigada por isso! (BÁRBARA ABRAÇA NATASHA) (PERSANDO) Até que enfim você está sendo útil! Obrigada por me dar a informação que eu queria sua idiota, estúpida!
NATASHA: Eu é que agradeço por sua amizade, minha amiga!
CONTINUA...