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Entrevista bem antiga da Wanessa na Revista Veja - Ano 2003

Entrevista bem antiga da Wanessa na Revista Veja - Ano 2003

Entrevista da Wanessa - Ano 2003

A estrela do pop adolescente diz que não gosta de bancar a santa, admite que era breguinha e conta que deixou de ser virgem

Quando tinha 17 anos, a goiana Wanessa Camargo, filha do cantor sertanejo Zezé Di Camargo, foi convidada pela gravadora BMG para gravar um disco. Aceitou mais que depressa e hoje, aos 20 anos, é um dos nomes mais fortes do pop romântico – rótulo inventado pelas gravadoras para englobar artistas cuja maior especialidade são as baladas para o público adolescente. Os três álbuns que lançou venderam ao todo 680 000 cópias. No fim do ano passado, ela se tornou uma das apresentadoras do programa Jovens Tardes, dirigido pela ex-empresária de Xuxa, Marlene Mattos, na Rede Globo. Apesar do sucesso, Wanessa não se livrou de um estigma: o de ser considerada uma cópia de Sandy, da dupla Sandy & Junior. Sandy, que não tem nenhum parentesco com ela, também é filha de um sertanejo, o cantor Xororó, e foi pioneira no tal filão do pop romântico. Para Wanessa, no entanto, as semelhanças acabam por aí. Nesta entrevista, ela fala sobre sexo, faz autocrítica e denuncia os preconceitos que enfrenta no mundo artístico.

Veja – Você é uma outra Sandy?
Wanessa – É claro que não. O que temos de igual é que somos filhas de astros sertanejos e fazemos um pop romântico direcionado para o público adolescente. Mas as semelhanças param por aí. O nosso estilo de vida é completamente diferente. A Sandy é reservadíssima. Eu falo o que penso, ainda que tenha de pagar um preço alto por isso. Não deixo de viver a minha vida por nada. Chamei a Sandy para sair algumas vezes, mas ela nunca tem tempo livre. Se tiver de sair de madrugada com meus amigos, eu saio. A minha mãe não gosta disso e, quando ralha comigo, costumo responder: "Mãe, não sou a Sandy!".

Veja – A Sandy sabe que você fala isso?
Wanessa – Essa não é uma frase minha. É um bordão. Toda menina mais independente fala isso.

Veja – Que imagem você quer passar para os seus fãs?
Wanessa – A imagem de uma pessoa alto-astral, que não deixa de fazer as coisas que lhe dão prazer. Não sou toda certinha e seria falsa se quisesse vender essa idéia. Agora, sei que tenho responsabilidades por ser famosa. Se alguém estiver fumando do meu lado, dou bronca. Não quero ser fotografada ao lado de cigarros. E também não bebo se estiver numa festa em que haja fotógrafos.

Veja – Você mudou bastante seu visual desde sua estréia artística. Teve ajuda nisso?
Wanessa – Sempre amei moda, mas me vestia mal. Usava tudo de que gostava, sem me preocupar se os acessórios e as roupas combinavam. Brinco rosa-shocking com sapato azul, essas coisas. As pessoas me chamavam com razão de breguinha. Então, resolvi ter aulas de como me vestir bem. Contratei uma personal stylist, a Manuela Carvalho, que pegava revistas, pedia para eu apontar o que achava elegante e ia me corrigindo. Hoje sou modelo para muitas garotas. Cansei de ver meninas usando o mesmo cabelo que eu, ainda que não fique bem para elas.

Veja – Que preocupações você tem com seu corpo?
Wanessa – Eu emagreci 8 quilos à custa de muito regime. Dizem que fiz lipoaspiração, mas é mentira – tenho até uma barriguinha, olha só. Na verdade, eu queria ter mais peito, diminuir o bumbum e ter mais altura que o meu 1,59 metro. No entanto, nunca faria implante de silicone. Morro de medo de cirurgia, tenho pavor de cicatriz, se vai aparecer ou não. Prefiro ficar com meus sinceros e pequeninos seios. Posso ser essa coisinha mignon, mas sou caliente. Tenho sido cantada por muita gente famosa, sabia? Descobrem o meu telefone, falam de assuntos corriqueiros e depois me convidam para jantar. Estou até vacinada.

Veja – Alguma coisa na fama a incomoda?
Wanessa – Há uma coisa desagradável na fama que é o seguinte: você já não sabe mais o que as pessoas querem quando se aproximam de você. Isso me deixa meio aflita, tanto que é um assunto que tenho discutido bastante na minha terapia.

Veja – Terapia?
Wanessa – Terapia. Só escrever no meu diário, que é uma coisa que ainda faço, já não estava adiantando. Dividir os problemas com alguém tem sido ótimo. A terapia me deu segurança inclusive para dar um basta no meu último namoro. A história estava horrível, repleta de mentiras e traições e sobrevivia apenas porque eu tinha uma idéia fantasiosa do que é um namoro. Enxerguei isso no consultório da analista.

Veja – Você conversa abertamente sobre sexo com seus pais?
Wanessa – Sexo ainda é tabu lá em casa. Até porque meus pais são muito ciumentos. Minha mãe chorou quando me viu dar o primeiro beijo num namorado. Nós tínhamos de namorar atrás do arbusto. Para mim, também não é fácil. É difícil imaginar que meus pais fazem sexo. Quando ouço um barulho diferente vindo do quarto deles, coloco o som no volume máximo, tampo os ouvidos com um travesseiro e faço de conta que está passando um filme.

Veja – Você contou a eles sobre a sua primeira vez?
Wanessa – Minha mãe questionou minha virgindade quando eu tinha 15 anos e pedi para ir ao ginecologista. E olhe que eu era mesmo virgem. Desde então, nunca mais tocou no assunto. Com meu pai, jamais conversei a respeito de sexo. Ele vai ficar louco da vida quando souber que perdi minha virgindade, porque sempre me viu como a menininha do papai. E o pior é que ele vai saber através de VEJA... Mas, enfim, sou uma mulher, tenho meus desejos e minhas vontades.

Veja – O que você achou de a Kelly Key ter sido escolhida para fazer a campanha contra a Aids?
Wanessa – Achei legal. Por mais que ela cante músicas que não têm nada a ver comigo. Detesto músicas que tratam homem e mulher de modo pejorativo, como cachorro e égua. Acho que a Kelly é um bom nome para essa campanha, porque ela tem uma vida sexual ativa e pode mostrar às pessoas que se cuida. É mais convincente.

Veja – Você faz playback em seus shows?
Wanessa – Nunca. Desafio qualquer pessoa a ir a um show meu e dizer que faço playback. Aliás, sou até criticada por isso. Eu prefiro cantar com microfone em punho e mexer a mão feito uma louca a usar playback. Já peguei artista fazendo playback e foi muito frustrante. É achar que o público é burro.

Veja – Existe alguma qualidade musical no seu trabalho?
Wanessa – Eu não sou uma grande cantora, mas estou aprendendo. Hoje, por exemplo, não consigo ouvir o meu disco de estréia porque acho que os vocais são muito ruins. Tenho consciência de que meu trabalho é comercial. O povo gosta de ouvir baladas, elas tocam mais no rádio e ajudam a vender discos. Então, temos de investir nas baladas. Mas o meu sonho é não ficar eternamente cantando para adolescentes.

Veja – O que você está fazendo para evoluir?
Wanessa – Tenho lido e ouvido muita coisa antiga. No meu próximo CD, penso em gravar uma canção da Wanderléa ou da Martinha dos tempos da jovem guarda. Como um dos próximos temas do meu programa de televisão, Jovens Tardes, será a tropicália, tenho procurado ouvir discos de artistas que fizeram parte do movimento. Eu até comecei a ler um livro, chamado História Social da Música Popular Brasileira, de José Ramos Tinhorão.

Veja – Tinhorão é conhecido por desancar diversos movimentos musicais brasileiros, entre os quais a bossa nova e o tropicalismo. Você se chocou com alguma opinião dele no livro?
Wanessa – Está brincando! É mesmo? Eu achei que era apenas um estudo, ainda estou na parte dos portugueses. Gosto mais quando ele relaciona fatos políticos e sociais com a música. Faz dois anos que comprei esse livro. Mas comecei a ler apenas agora, quando passei a apresentar o programa.

Veja – O que mais você costuma ler?
Wanessa – Adoro ler sobre religiões, devoro guias sobre budismo, espiritismo. Também gosto de mitologia greco-romana. Meu personagem predileto entre todos é a deusa Palas Atena, me identifico com a força e a determinação dela.

Veja – Como você administra seu dinheiro?
Wanessa – Eu trabalho desde os 14 anos, era dançarina da banda do meu pai. Hoje, apesar de a minha mãe ser minha empresária, banco tudo. Ela recebe 25% dos meus lucros e eu pago banda, empresário, escritório, funcionários etc. Aplico tudo o que sobra em fundos de investimento. São essas atitudes que me dão certa independência. Gosto de quebrar a cara sozinha e aprender sobre a vida em vez de ficar ouvindo conselhos da minha mãe.

Veja – Você é pão-duro?
Wanessa – Com meu dinheiro, sim. Peço mil descontos e fico de olho em liquidação. Com o dinheiro do meu pai eu não tinha tanta piedade. Quando ia para a Disney, sempre tinha de telefonar para pedir mais verba.

Veja – Você não gasta dinheiro em lojas caras?
Wanessa – Fui à Daslu duas vezes. Da primeira vez, cheguei sem ter idéia de que as roupas eram tão caras. Juntei um monte de coisas e depois dei vexame: fui deixando de lado um monte de peças à medida que me diziam o preço. Parecia uma dona-de-casa com o orçamento apertado no caixa do supermercado. Acho um absurdo torrar 3 000 reais numa blusa.

Veja – Seu pai começou a ganhar dinheiro quando você tinha 9 anos. O que você lembra do período de vacas magras?
Wanessa – Minha família se sacrificava para me manter num colégio particular, e eu me lembro de ter sofrido discriminação. Era um colégio que se chamava Pixoxó e ficava no Jardim Independência, aqui em São Paulo. Todo mundo chegava de carro e minha mãe me levava a pé. A diretora da escola vivia insinuando que a

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